Bem...Nem sei por onde começar!
Estive este tempo sem escrever porque precisei de um tempo para mim. A minha vida deu uma volta de 360º e foi como apanhar um choque.
Nesse dia á noite, depois da "má noticia" que tive no hotel, recebi uma chamada a perguntar se eu ainda estava interessada em ir a uma entrevista para uma pastelaria. Parecia que era de propósito!!!
De repente lembrei-me que para pastelarias só tinha mandado para uma:
-SMIC
-CDI
-Horário matinal
-Duas folgas por semana
O QUE É QUE PODIA SER MELHOR?!
Fui á entrevista, mas desde o início que a mulher me pareceu muito esquisita, apresentava-me as condições e dizia-me para ir para casa pensar e para depois lhe telefonar; pediu-me para fazer uma manhã á experiência e para depois eu lhe ligar e dizer se queria ficar ou não. Na minha terra as coisas resolvem-se cara a cara e não por telefone, ainda hoje não consegui perceber que raio de método foi aquele...
Fiquei com o trabalho, mas passados 15 dias a patroa e eu não aguentámos mais e dissemos adeus uma á outra.
Foi a pior experiência de trabalho que tive em França, não pelo trabalho forçado ou pelas horas a que me tinha de levantar, mas pela perseguição psicológica.
Eram três mulheres no seus 50 anos, conhecidas de longa data. Todos os dias a patroa me cantava uma cantiga nova, ou era porque eu era muito jovem, ou era porque ela não tinha a certeza que o meu francês chegava para vender pão (nem vou tecer comentários sobre este último, enfim).
Sempre que havia alguma coisa que eu não tinha feito bem ela começava a tratar-me mal, para além disto ela contradizia-se imenso, mandava-me arranjar o pão em cima de um carrinho próprio e quando o cliente entrasse eu deveria escondê-lo, no minuto a seguir dizia-me que não era para esconder o carro era para o arrumar. Bom, coisas fora de órbita!
Tudo isto mais a ajuda das suas amigas que me faziam a vida negra. E eu a pensar que por volta dessa idade se atingia a maturidade...
Essa pastelaria era diferente das outras, tinha uma maquina que fazia os trocos sozinha e que se distinguia por ter produtos com sementes naturais e esse tipo de coisas que fazem bem á saúde, e para além de vender tínhamos de saber as propriedades e as sementes que cada pão tinha, agora imaginem lá saber isso em francês...Então, sempre que algum cliente entrava e eu tentava lhe explicar o produto, lá me saía uma palavra mal dita ou me faltava uma ou outra propriedade. Nesse momento eu sei que se elas tivessem raios laser nos olhos elas tinham-me aniquilado nesse mesmo instante!
A última semana foi a pior, a patroa dava-me desculpas de todos os tipos e mais algum para se dizer que o meu trabalho não era bom, ou era a língua, ou as colegas que não gostavam de mim, ou porque não conseguia saber tudo o que era preciso sobre o pão, mas ao mesmo tempo não percebia porque não me mandava embora de uma vez por todas!
Para concluir, as coisas terminaram-se a bem e de uma vez por todas e nunca mais as quero ver na minha vida. (No noutro dia vi uma delas no autocarro, mas fingiu que não me conhecia e eu fiz o mesmo)
Mas foi durante essa semana que a minha vida deu uma grande volta. No primeiro dia em que comecei a trabalhar descobri que estava grávida.