Cheguei gente! Com as ideias frescas!
Depois de ter estado em Portugal comecei a reflectir sobre a vida e sobre o
futuro. Cheguei á conclusão que viemos completamente 'enganados' e 'cegos' para
aqui. Isto não é definitivamente o país dos sonhos e das esperanças. Na altura
viemos com a ideia que de arranjar um trabalho iria ser fácil principalmente
para dois jovens, que as coisas se iam desenvolver naturalmente apartir daí.
Mas, depois de um ano aqui, posso dizer que tem sido mais uma experiência que
me fez crescer. E ainda bem, só evoluímos a bater com a cabeça nas paredes,
pelo menos não fiquei presa em casa com medo do que poderia ter acontecido ou um
ano mais tarde dizer e 'se'?
Não quero ser ingrata ao ponto de dizer que este país nunca me deus nada,
muito pelo contrário, mas nada compra a nossa felicidade e a qualidade de vida.
"Gostas de estar em Paris?“- A questão que mais vezes me foi feita, logo
a seguir a: "Estás grávida?". Vocês provavelmente não devem saber que
já estou de seis meses, ou seja, não estou com uma barriga de quem comeu muito
ao almoço e ainda não teve tempo para digerir tudo, por isso acho que há
perguntas que são escusadas, mas isso sou eu que digo!
A resposta á pergunta era sempre a mesma: "Sim, tem dias". (Á
segunda questão desisti de responder por que era demasiado ridícula)
A verdade é que nenhuma terra há-de agradar mais ao estrangeiro do que
a sua própria. E para, além disso, Paris é uma bela cidade, mas não para viver,
não para trabalhar e não para criar uma criança. Não há um sitio onde eu possa
respirar ar puro, 'em casa' basta eu pegar no carro e ir á serra para sentir o
cheirinho a eucalipto! Não há para onde eu possa 'fugir' e me concentrar só no
meu relax e nos meus pensamentos, antes mesmo de lá chegar já queimei o cérebro
a imaginar a multidão frenética do metro que vou ter de enfrentar e se nesse
local não estarão mais um milhão de pessoas como eu em busca do mesmo.
E nisto passa-se uma tarde tropical de 30º graus com trovoada agressiva.
19 juin 2013
1 juin 2013
O pesadelo do CDI
Há sentimento pior do que pensarmos que os que estão pior que nós conseguem, ao mesmo tempo, estar numa melhor situação?
As coisas são muito difíceis de adquirir. Para se ter um contrato é preciso dar provas sobre-humanas de trabalho árduo e de motivação, ao mesmo tempo que os patrões nos metem obstáculos e nos matam a vontade de progredir e de vencer. Já ninguém dá CDI's, chupam-nos até ao tutano porque sabem que vamos dar o melhor para conseguir o tão desejado contrato. Eu digo isto porque aqui a vida 'a séria' começa não a partir do momento em que temos 18 anos, mas a partir do momento em que se consegue um contrato de efectivo.
- Não se pode alugar casa sem um elemento do casal ter um;
as pessoas chegam mesmo a meter nos anúncios para os miseráveis que pensam que têm um contratozeco de 6 meses ou menos, nem sequer se aventurarem em pensar que podem um dia vir a viver como um casal normal e ter um bocadinho de independência. Tirem lá daí essas ideias.
Para não falar dos honoraires que as agências imobiliárias pedem. Temos que juntar dinheiro durante não sei quantos anos para conseguir pagar os 3 ou 4 meses de caução que nos pedem para poder 'dar entrada' na casa alugada. Tendo em conta que uma casa em condições com uma peça apenas nos arredores de paris ronda os 600/700 sem as despesas básicas incluídas. Isto é uma loucura.
- Não se pode comprar um carro sem um elemento do casal ter um. Como é que uma pessoa pode sequer pensar em comprar um carro se não sabe se amanhã tem trabalho para pagar a próxima prestação? E mesmo se juntar dinheiro durante algum tempo e conseguir pagar um carro a pronto, como vai pagar o seguro? E o combustível?
Quem fala de alugar casa e carro, fala de ter filhos, casar, comer e ter qualidade de vida.
Vou-lhe chamar "o pesadelo do CDI".
Na vida uma pessoa tem sempre tendência para comparar o que temos no momento com que nós já conhecemos: família, comida, amigos, etc. Neste momento eu pergunto-me se não era melhor estar em Portugal, se a independência não viria muito mais rápido aí. Mas pelas 4789758376 pessoas que estão no desemprego, que já nem conseguem dar de comida aos filhos, que são confrontados com propostas de estágio como se lhes estivessem a oferecer o céu. Mas nem vamos por aí que isso dá panos para mangas!
As coisas são muito difíceis de adquirir. Para se ter um contrato é preciso dar provas sobre-humanas de trabalho árduo e de motivação, ao mesmo tempo que os patrões nos metem obstáculos e nos matam a vontade de progredir e de vencer. Já ninguém dá CDI's, chupam-nos até ao tutano porque sabem que vamos dar o melhor para conseguir o tão desejado contrato. Eu digo isto porque aqui a vida 'a séria' começa não a partir do momento em que temos 18 anos, mas a partir do momento em que se consegue um contrato de efectivo.
- Não se pode alugar casa sem um elemento do casal ter um;
as pessoas chegam mesmo a meter nos anúncios para os miseráveis que pensam que têm um contratozeco de 6 meses ou menos, nem sequer se aventurarem em pensar que podem um dia vir a viver como um casal normal e ter um bocadinho de independência. Tirem lá daí essas ideias.
Para não falar dos honoraires que as agências imobiliárias pedem. Temos que juntar dinheiro durante não sei quantos anos para conseguir pagar os 3 ou 4 meses de caução que nos pedem para poder 'dar entrada' na casa alugada. Tendo em conta que uma casa em condições com uma peça apenas nos arredores de paris ronda os 600/700 sem as despesas básicas incluídas. Isto é uma loucura.
- Não se pode comprar um carro sem um elemento do casal ter um. Como é que uma pessoa pode sequer pensar em comprar um carro se não sabe se amanhã tem trabalho para pagar a próxima prestação? E mesmo se juntar dinheiro durante algum tempo e conseguir pagar um carro a pronto, como vai pagar o seguro? E o combustível?
Quem fala de alugar casa e carro, fala de ter filhos, casar, comer e ter qualidade de vida.
Vou-lhe chamar "o pesadelo do CDI".
Na vida uma pessoa tem sempre tendência para comparar o que temos no momento com que nós já conhecemos: família, comida, amigos, etc. Neste momento eu pergunto-me se não era melhor estar em Portugal, se a independência não viria muito mais rápido aí. Mas pelas 4789758376 pessoas que estão no desemprego, que já nem conseguem dar de comida aos filhos, que são confrontados com propostas de estágio como se lhes estivessem a oferecer o céu. Mas nem vamos por aí que isso dá panos para mangas!
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